A notícia é real. A discussão ganhou repercussão em Santa Catarina após a publicação da Portaria SAR nº 14/2026, que alterou parâmetros técnicos da tradicional Linguiça Blumenau. A medida reduziu de 42% para 30% o percentual máximo de gordura permitido na composição do produto, gerando preocupação entre fabricantes e defensores da preservação da receita original.
A alteração foi adotada pelo Governo de Santa Catarina para adequar as normas estaduais às diretrizes técnicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Para os produtores, porém, a mudança compromete características consideradas essenciais da iguaria, como sabor, textura, suculência e o processo tradicional de cura e defumação que tornou o produto conhecido em todo o estado.
O debate ganhou força porque a Linguiça Blumenau possui reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial catarinense e recebeu, em 2024, o selo de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O certificado reconhece justamente as características históricas, territoriais e físico-químicas que distinguem o produto fabricado no Vale do Itajaí e no Alto Vale.
Representantes da Associação das Indústrias Produtoras de Linguiça Blumenau (Alblu) defendem que a receita tradicional atende aos critérios técnicos já reconhecidos pelos órgãos competentes e acreditam que o impasse poderá ser resolvido por meio do diálogo com autoridades estaduais e federais. O setor teme que a nova exigência provoque a descaracterização de um alimento produzido há quase um século na região.
A repercussão também chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Napoleão Bernardes apresentou uma proposta para suspender os efeitos da portaria, argumentando que a medida cria um conflito entre a preservação de um produto protegido por Indicação Geográfica e as novas exigências regulatórias. Segundo ele, a mudança ameaça não apenas uma receita tradicional, mas também um importante símbolo da história, da cultura e da identidade catarinense.








