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De trilhos alemães ao fluxo urbano: a história da Ponte Aldo Pereira de Andrade
A voz e a liderança de Carlos Braga Mueller
Uma vida dedicada à comunicação, à cultura e ao desenvolvimento em Blumenau
Nascido na cidade de Blumenau no dia 5 de maio de 1939, Carlos Mueller construiu seus primeiros alicerces educacionais no Colégio Sagrada Família, onde cursou os dois primeiros anos do ensino primário. Em seguida, transferiu-se para a escola Pedro II para concluir a etapa ginasial. Como o município ainda não contava com cursos de ensino superior na época, ele optou por realizar o curso técnico de contabilidade no Colégio Santo Antônio, uma formação técnica que, naqueles tempos, possuía o peso e o prestígio de um diploma universitário.
Desde muito cedo, o então menino de calças curtas demonstrava fascínio pelo universo do entretenimento, frequentando assiduamente as sessões do Cine Busch. Sua outra grande paixão era o rádio, passando horas sintonizado na PRC-4 Rádio Clube, a única emissora local de seu tempo, e na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que concentrava as atenções do público com suas famosas novelas, humorísticos e programas de auditório. Essa rotina de ouvinte assíduo despertou uma vocação muito clara, levando-o a conquistar uma vaga de locutor comercial na PRC-4 aos 14 anos de idade, emissora na qual permaneceu por 09 anos e vivenciou ativamente a era de ouro do rádio blumenauense.
A habilidade com a comunicação abriu novas portas, conduzindo-o inicialmente ao setor administrativo e de comunicação da prefeitura, onde trabalhou por 05 anos e assumiu a responsabilidade pelo programa Executivo em Foco, que era retransmitido por todas as emissoras da cidade para divulgar as ações do governo municipal.
TB Coligadas
Após uma longa e produtiva passagem de 14 anos pela iniciativa privada como funcionário da Electro Aço Altona, ele retornou aos veículos de massa em 1969 para integrar a primeira equipe de jornalismo da recém-inaugurada TV Coligadas. Para evitar confusões com um colega também chamado Carlinhos, que atuava na área social, adotou o sobrenome materno e apresentou o Telejornal Malhas Hering como Carlos Braga Mueller, ajudando a moldar a comunicação moderna no estado e contribuindo posteriormente para a implantação da TV Legislativa em Santa Catarina.
A popularidade conquistada nas telas e nos microfones, somada ao engajamento comunitário, resultou em um convite natural para ingressar na vida pública, campo no qual obteve êxito ao se eleger vereador por duas vezes. Sua atuação na Câmara Municipal durou 10 anos ininterruptos, período composto por 02 mandatos de quatro anos e uma prorrogação excepcional de mais dois anos. Durante o biênio de 1981 e 1982, Braga Mueller alcançou o topo da liderança política local ao presidir o poder legislativo de Blumenau, firmando um compromisso com os cidadãos que marcou sua trajetória.
Em paralelo às atividades políticas e midiáticas, ele sempre manteve uma ligação muito profunda com a gestão cultural do município, ocupando o cargo de gerente do histórico Teatro Carlos Gomes, instituição na qual atua até o presente momento como membro do conselho deliberativo. Sua visão abrangente sobre a importância das artes o levou a participar ativamente da criação do Cine Atlas e a integrar o Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, assumindo também a presidência desse órgão e consolidando contribuições duradouras para as políticas públicas voltadas ao setor.
O talento constante com as palavras encontrou terreno muito fértil também no jornalismo escrito e na literatura, rendendo-lhe cadeiras na Academia de Letras Blumenauense e na Sociedade Escritores de Blumenau. Na década de 1970, assumiu a responsabilidade pela seção Estante Catarinense da revista Blumenau em Cadernos e, por muito tempo, escreveu críticas inspiradas sobre cinema nas páginas do Jornal de Santa Catarina. Como autor, assina obras de grande valor local, com destaque para os livros Histórias do Opa Müller, focando em ecologia para crianças, Contos Que Eu Conto e a obra Contos Escolhidos.
A capacidade de articulação de Braga Mueller trouxe contribuições igualmente expressivas para o turismo e o desenvolvimento econômico da região. Entre os anos de 2001 e 2002, exerceu a presidência da PROEB, a fundação promotora de exposições de Blumenau que originou o atual Parque Vila Germânica. A partir de 2005, tornou-se associado da AMPE, a associação das microempresas e empresas de pequeno porte da cidade, onde foi membro e presidente do conselho deliberativo e presidiu a própria entidade no biênio 2015 e 2016, trabalhando firmemente pela integração entre o associativismo, a cultura e a comunicação.
Toda essa movimentada jornada profissional e comunitária encontrou suporte em uma base familiar sólida, iniciada com o casamento com Rosi Mari no ano de 1968. Dessa união nasceram as filhas Rose Marie e Daniela e o filho Carlos Marcelo, que multiplicaram as alegrias da casa com a chegada das netas Luisa, Sofia e Stella e do neto Henrique. Carlos Braga Mueller segue sendo uma verdadeira referência viva, cujos passos ilustram o progresso, o desenvolvimento econômico e a rica identidade cultural do povo de Blumenau.
O percurso empresarial e o legado político de Wittich Freitag
Nascido em Blumenau no dia 7 de julho de 1922, Wittich Freitag despontou cedo como uma figura de destaque no cenário empresarial e político do Brasil. Com um espírito empreendedor notável desde a juventude, ele participou da fundação de diversas empresas, entre as quais ganha evidência a famosa marca Consul. Sua capacidade gerencial logo chamou a atenção das autoridades estaduais, o que rendeu uma nomeação direta pelo então governador Celso Ramos. Dessa forma, entre os anos de 1962 e 1964, ele assumiu a presidência da Empresa Sul Brasileira de Eletricidade, a Empresul, instituição que operou como precursora da atual Celesc, consolidando assim o seu nome tanto na iniciativa privada quanto no setor público de Santa Catarina.
A transição definitiva para a vida pública ocorreu com naturalidade, pavimentada por sua filiação inicial à Aliança Renovadora Nacional, a antiga Arena, e posteriormente ao Partido da Frente Liberal, o PFL. O começo de sua caminhada no legislativo aconteceu no cargo de vereador, um passo fundamental para conquistas maiores nas urnas. O ápice de sua primeira fase no poder executivo ocorreu entre 1983 e 1988, quando assumiu a prefeitura de Joinville e implementou uma gestão eficiente e amplamente elogiada. Tamanho foi o êxito do seu trabalho que a Revista Veja o classificou como o melhor administrador municipal do Brasil naquela época. Aproveitando o bom momento e a alta aprovação, ele também atuou como deputado estadual pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
O vínculo de confiança com a população joinvilense provou ser forte o bastante para garantir seu retorno ao comando da prefeitura anos mais tarde. Na eleição de 1992, ele saiu mais uma vez vitorioso nas urnas ao derrotar o candidato Luiz Henrique da Silveira, o que lhe permitiu exercer um segundo mandato municipal entre os anos de 1993 e 1996.
Mesmo após encerrar suas atividades diárias na política, sua imagem seguiu intimamente ligada ao desenvolvimento da maior cidade do estado. A jornada desse líder encerrou de forma definitiva no dia 16 de outubro de 1998, aos 76 anos, quando faleceu em Joinville vítima de uma hemorragia intestinal, deixando uma contribuição valiosa e duradoura para a indústria e a administração pública catarinense.
Blumenau registra queda em ranking nacional de qualidade de vida
Relatório do Índice de Progresso Social aponta recuo da cidade catarinense na classificação brasileira, embora município permaneça entre os melhores do estado
A informação é verdadeira e tem como base os dados mais recentes do Índice de Progresso Social (IPS Brasil), estudo elaborado pelo Instituto Imazon em parceria com organizações da sociedade civil. O levantamento avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros a partir de indicadores sociais e ambientais, sem considerar exclusivamente fatores econômicos.
De acordo com o relatório, Blumenau perdeu 30 posições no ranking nacional desde a primeira edição do IPS, divulgada em 2024. O município ocupava a 68ª colocação naquele ano, caiu para a 98ª posição na edição seguinte e atualmente aparece em 98º lugar no país, com índice de 68,91 pontos.
Apesar do recuo na classificação nacional, a cidade continua figurando entre os municípios com melhor qualidade de vida de Santa Catarina. No cenário estadual, Blumenau aparece na sexta colocação, atrás de cidades como Luzerna, Joinville, Cocal do Sul, Jaraguá do Sul e Antônio Carlos.
A análise do IPS mostra que o melhor desempenho de Blumenau está na dimensão denominada Fundamentos do Bem-Estar, que reúne aspectos ligados à educação, acesso à informação e qualidade ambiental. Nessa categoria, o município alcança posições de destaque em âmbito nacional. Por outro lado, os indicadores relacionados a oportunidades apresentam resultados significativamente mais modestos.
Entre os fatores que contribuíram para a perda de posições estão indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, acesso a oportunidades e espaços públicos urbanos. O estudo reforça que a qualidade de vida é medida por um conjunto amplo de critérios, incluindo necessidades humanas básicas, bem-estar e oportunidades para a população, permitindo uma visão mais abrangente das condições de desenvolvimento dos municípios brasileiros.
Mudança em regra sobre gordura ameaça receita tradicional da Linguiça Blumenau
A notícia é real. A discussão ganhou repercussão em Santa Catarina após a publicação da Portaria SAR nº 14/2026, que alterou parâmetros técnicos da tradicional Linguiça Blumenau. A medida reduziu de 42% para 30% o percentual máximo de gordura permitido na composição do produto, gerando preocupação entre fabricantes e defensores da preservação da receita original.
A alteração foi adotada pelo Governo de Santa Catarina para adequar as normas estaduais às diretrizes técnicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Para os produtores, porém, a mudança compromete características consideradas essenciais da iguaria, como sabor, textura, suculência e o processo tradicional de cura e defumação que tornou o produto conhecido em todo o estado.
O debate ganhou força porque a Linguiça Blumenau possui reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial catarinense e recebeu, em 2024, o selo de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O certificado reconhece justamente as características históricas, territoriais e físico-químicas que distinguem o produto fabricado no Vale do Itajaí e no Alto Vale.
Representantes da Associação das Indústrias Produtoras de Linguiça Blumenau (Alblu) defendem que a receita tradicional atende aos critérios técnicos já reconhecidos pelos órgãos competentes e acreditam que o impasse poderá ser resolvido por meio do diálogo com autoridades estaduais e federais. O setor teme que a nova exigência provoque a descaracterização de um alimento produzido há quase um século na região.
A repercussão também chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Napoleão Bernardes apresentou uma proposta para suspender os efeitos da portaria, argumentando que a medida cria um conflito entre a preservação de um produto protegido por Indicação Geográfica e as novas exigências regulatórias. Segundo ele, a mudança ameaça não apenas uma receita tradicional, mas também um importante símbolo da história, da cultura e da identidade catarinense.
Antigo estádio dá lugar a megaloja da Havan em Blumenau
Área que marcou a história do futebol local passa por transformação urbana e recebe empreendimento com investimento milionário
Um dos espaços mais emblemáticos de Blumenau, em Santa Catarina, está ganhando uma nova configuração. O terreno onde funcionou o Estádio Aderbal Ramos da Silva, tradicional casa do Blumenau Esporte Clube (BEC), foi convertido em área para a instalação de uma nova megaloja da Havan, empreendimento que se tornou um dos maiores investimentos privados recentes na região central da cidade.
Durante décadas, o estádio foi palco de partidas do Campeonato Catarinense e de momentos marcantes para o esporte blumenauense. Com capacidade para aproximadamente quatro mil torcedores, a estrutura recebeu gerações de fãs do futebol até ser demolida em 2007. Desde então, o terreno permaneceu sem uma destinação de grande impacto até ser adquirido pela rede varejista.
O novo projeto vai além da construção de uma loja. Para viabilizar o complexo comercial, foram realizadas intervenções urbanísticas importantes, incluindo alterações no sistema viário do entorno. Entre as mudanças estão adequações em ruas próximas e melhorias destinadas a facilitar a circulação de veículos e o acesso à área central da cidade.
A implantação do empreendimento exigiu também adaptações arquitetônicas. Por estar localizado em uma região de relevância histórica, o projeto abandonou elementos tradicionais presentes em outras unidades da rede e adotou características inspiradas na arquitetura enxaimel, marca cultural da colonização germânica de Blumenau. A proposta recebeu aprovação dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico.
Com investimento estimado entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, conforme diferentes etapas divulgadas do projeto, a nova unidade conta com cerca de 14 mil metros quadrados de área construída, geração de aproximadamente 200 empregos diretos e expectativa de fortalecer a atividade econômica local. A transformação do antigo estádio simboliza uma nova fase para uma área que por décadas esteve associada ao esporte e agora assume papel de destaque no comércio da cidade.











